terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Lama no Rio Doce

Lama no Rio Doce: saiba o impacto na vida, na economia e na natureza


Meio Ambiente:
A chegada da lama logo evidenciou seus efeitos na biodiversidade marinha. Segundo o Ibama,três toneladas de peixes mortos já foram recolhidos ao longo do leito do Rio Doce no Espírito Santo, até sexta-feira (27). Somente na foz, foram recolhidos 700 animais no domingo (22) e 170 na segunda-feira (23). 
A região da Foz do rio é berçário natural para muitos animais marinhos, onde há maior reprodução de animais e grande diversidade de espécies. “Há espécies que se reproduzem só ali, como a tartaruga gigante. É um ecossistema frágil e por isso tem que haver medidas mitigadoras para controlar esses danos ambientais”, disse Nery.
Para ele, os efeitos da chegada da lama não devem ficar restritos apenas aos animais diretamente atingidos por ela. “Vamos supor que tenha um peixinho que se alimenta de uma alga que tem esses metais. Um peixe grande vai comer vários peixes pequenos, que comeu várias algas. Como somos os últimos predadores, acumulamos muito mais metais do que os outros. E esses metais pesados podem causar câncer, mal formação…”, falou.


Economia:
Com o mar e o rio cheios de lama, os 68 pescadores cadastrados na Associação de Pescadores de Regência (Asper) estão com seus barcos parados. Para o presidente da associação, uma cena triste de presenciar.
 Para aqueles que exercem alguma outra atividade, além da pesqueira, a insegurança é menor. No entanto, a pesca é o único ganha pão de centenas de pessoas. Segundo a Secretaria de Assistência Social de Linhares, 56 famílias dependem exclusivamente da pesca em Regência. 
Essas famílias estão recebendo o seguro defeso, benefício do Governo Federal, pago aos pescadores nas épocas de reprodução dos peixes. Na região, o defeso vai de 1º de novembro a 28 de fevereiro. No entanto, segundo a prefeitura, novas formas de ajuda, inclusive com a participação da Samarco, estão sendo discutidas.
Além do prejuízo na pesca, a secretaria já prevê a queda no movimento nos balneários em Linhares. Ninguém, entre órgãos, moradores e comerciantes, acredita que a média de 200 mil pessoas que visitam as praias do litoral Norte vá permanecer.


Sociedade:
Além da cor da água, a chegada da onda de rejeitos alterou completamente a rotina de uma população inteira. “Os aspectos abrangem desde as coisas tangíveis, como os danos econômicos, mas também temos a dor emocional, a dor de ver o recurso natural destruído, essas são coisas não tangíveis. Por isso essa é chamada tragédia socioambiental, porque abrange os dois aspectos”, explicou o cientista político Roberto Simões. 
Simões comentou que caso as atividades econômicas fiquem lesadas por muito tempo, a população vai precisar recorrer a outros meios de se manter.
“Eu, sinceramente, só vejo duas opções: ou essas pessoas vão ser sustentadas pela empresa ou vão ter que entrar na Justiça. A sociedade também pode se organizar e fornecer as condições mínimas de vida, mas essa tragédia não é natural, ela é causada por uma empresa, e a sociedade não pode arcar com isso”, disse.
Diante do cenário, a população não vê outra alternativa que não seja se acostumar com uma rotina diferente daquela antes da lama. “Eu e meu irmão gostávamos de pescar, mas agora a gente não pode mais porque essa água está contaminada”, contou uma criança.

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